Ni Hao Ma? Como vai você?

Ser Coach é ser um experiente doutrinador em determinada área. Coach é o “treinador”, o “técnico”. Eu desenvolvi o Coaching e a Mentoria Marcial por possuir 28 anos como praticante de Kung Fu (além de outras técnicas marciais). A área empresarial é um ambiente perfeito para implementação de soluções que visam a evolução das pessoas através de técnicas especialmente adaptadas.

Por isso, segue abaixo, um resumo desses 28 anos de prática! Servirão para embasar todo meu projeto de treinamento que coloco à disposição de sua empresa, além da filosofia, estilo de vida saudável e método não ortodoxo.

Meu nome é Wagner Ballak. Sou um amante das artes marciais. Em especial, do Kung Fu Chinês. Hoje, vou contar a minha história como praticante “ad infinitum” de uma das Artes Marciais mais cativantes que já existiu.


O melhor presente de aniversário da minha vida

Quando eu era criança, até os 12 anos, eu era bem magrinho e levava a pior na rua. E decidi acabar com essa condição, pedindo para meus honrados pais me matricularem em uma escola de Kung Fu. E fomos, meu irmão, um amigo chamado Ricardo e eu. E isso ocorreu no dia 30 de agosto de 1989, quando eu estava fazendo aniversário de 12 para 13 anos. Esse foi o melhor presente que já ganhei na vida.

Eu iniciei meus estudos nesta antiga arte em 1989, na Associação Long-Teh (Dragão Aplicado) de Kung Fu, do ilustre e honrado Mestre Tsao A Po (nativo de Taiwan), no município de Ubatuba, litoral norte de São Paulo. O estilo chinês que Mestre Tsao trouxe chama-se Nam Pai Shaolin (Estilo Shaolin do sul).

Nesta época, eu pude contar com a orientação pedagógica de 7 professores faixas-pretas, formados da primeira geração. Mestre Tsao, desde 1984, em Ubatuba, quando chegou de Taiwan, desenvolveu o Wu Shu (Arte Marcial em Chinês), além da ampla e vasta cultura chinesa: culinária, terapia e massagem, Kung Fu, Chi Kung e Tai Ji Quan (Tai Chi). Além disso, Mestre Tsao veio ao Brasil também como missionário de uma doutrina chinesa conhecida como Tao (O Caminho). Assim, permanece até hoje, como grande nome do desenvolvimento da cultura no Vale do Paraíba e Litoral Norte. Só por curiosidade, Mestre Tsao também é empresário da área hoteleira e sua pousada chama-se “Pousada Taiwan” em Ubatuba, onde a Associação Long-Teh ainda permanece viçosa como o bambu, funcionando no piso superior.


Atmosfera daquele tempo: os treinamentos

Treinávamos em um verdadeiro templo chinês (onde era a residência do Mestre Tsao. Ele desenvolvia, com sua família, atividades terapêuticas como massagens e Artes Marciais). Havia um aroma de incenso inacreditavelmente sedutor, mandamentos que permeavam nossa conduta enquanto eternos praticantes marciais. Havia a estante de armas, as flâmulas, os símbolos, o altar para as cerimônias no fim de cada treino, tambor e címbalos para a Dança do Leão (Wu Shi). Não posso deixar de mencionar o imponente quadro do General Kwan Kung (ou Guan Yu – 160 e 219 a.C) e seus irmãos de guerra: Liu Bei e Zhang Fei. Os grandes guerreiros chineses, idolatrados pelos praticantes de Kung Fu, indispensáveis em qualquer estabelecimento que projeta cultura chinesa). O fundador do estilo “Tamo” (Buda) estava no centro do altar, entre incensários e decoração típica chinesa.


O exótico e sinistro “Chi Kung (Qi Gong)”:

Chi Kung significa “trabalho de energia” ou “força vital”. Os asiáticos focam a energia contida no corpo e conseguem direcioná-la para áreas específicas. Com treino e ciência, é possível entender a prática velada aos curiosos e iniciantes. Mas, obrigatória aos iniciados.

No meu início, senti um frio na espinha. Afinal, eu ficava impressionado demais com meus professores arremessando um saco de britas (pedras de construção), preso por uma corda à viga do teto, e parando-o com a cabeça. Era o símbolo máximo da força interior.

Como resultado, o corpo se transformava em uma arma que pudesse resistir a qualquer tipo de ataque. Em apresentações, o que chamava a atenção era a resistência surpreendente dos Professores aos “castigos”, como sustentar pessoas sobre cabos de enxada pelo pescoço, entortar lanças de ferro e sustentar um carro sobre o abdômen. Além disso, havia o “homem de pedra”: geralmente havia 3 faixas-pretas. Entre cada um deles, uma pesada pedra. O Mestre as quebrava com uma marreta até o último homem. Impressionante era o Mestre cortar uma cenoura sobre o corpo de um faixa-preta com um machado afiado, sem cortar o atleta. Isso era apenas uma parte do show. Lutas combinadas, quebramento, destreza com armas e acrobacias faziam a “festa”, com bastante gelo seco e canções chinesas.

Somente os monitores (segunda fase / primeiro grau, equivalente a uma quarta faixa de graduação em outra Arte Marcial), geralmente após dois anos de treino, poderiam iniciar treinamento em Chi Kung. Instrutores e Professores eram obrigados.

Após o treino, que levava 3 horas, havia um exercício chamado “Wai Tan Kung” que era uma rotina de 12 exercícios que precediam o “Tai Ji Quan”. Tudo isso formou um estilo sólido, inenarrável e perplexamente mágico, com seus segredos que faziam a pele arrepiar.


Espiritualidade e vida social

Em cada início de ano, participávamos de cerimônias como o “Ano Novo Chinês”, cerimônias de chá e frutas. E também, a “Cerimônia do Tao”, conhecida como “Curso de Volta ao Céu”. As cerimônias eram todas em Chinês, sendo traduzidas por uma das filhas do Mestre Tsao, para o entendimento geral. Sobre o idioma Chinês, os professores aprendiam e repassavam aos alunos o máximo que podiam sobre cultura e disciplina da arte.

Frequentemente em viagens para a residência de Mestre Tsao e família em São José dos Campos, almoçávamos com sua família (as delícias chinesas até hoje são apreciadas e lembradas onde quer que eu vá) e praticávamos o verdadeiro Kung Fu, participávamos de apresentações memoráveis e inesquecíveis. Muitas apresentações em várias cidades onde estivemos, eram permeadas com muito gelo seco e músicas chinesas que ainda ecoam em minha mente. Além do aroma da culinária chinesa, carinhosamente oferecida por Shi Fu Tsao e pela Sra. Lai (esposa do Mestre) que era tão marcante e inebriante, ajudávamos a família com afazeres, além dos treinos inesquecíveis.

Nunca mais as memórias desses anos maravilhosos poderão se dissipar. Por isso, tal sensação ainda é cultivada. É por isso que treino com amor de um guerreiro, sedento por conhecimento, sabendo que, a cada dia, nada sabemos, podendo aprender muito mais, com humildade de quem valoriza o ensinamento do Kung Fu. Aprendemos o verdadeiro valor da disciplina física, mental e espiritual. Posso dizer que foram uns dos melhores anos de minha vida.


Torneios e eventos

Participei de vários torneios, entre 1990 a 1993. Em 1993, fui campeão do “2º Torneio Aberto de Artes Marciais”, com três lutas. Fui campeão de rotinas (katis) em eventos como o “TAF”, entre outros. Em São José dos Campos e em Monteiro Lobato (cidades do Vale do Paraíba), realizamos muitas apresentações. Porém, tudo era bastante regional, sem patrocínio. Tudo foi realizado com dedicação esmerada de meus professores e Mestre.


Exames de faixa

O que vou relatar aqui não é conto qualquer. Trata-se do rigor que muitas academias, hoje, evitam para não perder alunos. O exame dava arrepios. Os alunos dependendo do grau, acumulavam rotinas: 15 exercícios (dos inícios dos treinos), 15 bases tradicionais (a essência do Kung Fu), Katis (cada grau exigia o Kati ou Katis daquela fase), flexões de braço até o limite físico, abdominais até o máximo, sustentação abdominal (isometria) armas brancas, chutes, idioma chinês e combate com graduado.

Porém, o exame para instrutor ou faixa-preta não era algo agradável nem de se ver. Meu último exame ocorreu em 1993, o mês era dezembro, às 3 da manhã. Não me lembro do dia da semana. Apenas sei que saí com meu irmão da academia e fomos direto para a escola (eu estava no segundo ano do colegial).

15 exercícios (dos inícios dos treinos), 15 bases tradicionais. E a diferença: eram 6 Katis (sem parar), 5 armas: Dai Dao (facão flexível), Shuāng jié gùn (nunchaku), Gun (bastão), Mao (lança) e o San Cha Ji (tridente). flexões de braço até aguentar, abdominais até aguentar, rolamento, saltos, sustentação abdominal (isometria), chutes, idioma chinês e combate com Lao Shi. A última rotina: ficar na posição “ma bu” (base do cavaleiro) até não aguentar mais. As pernas tremiam demais. Eu suportei ficar 30 minutos. Meu irmão suportou uma hora inteira. 4 horas de exame. Hoje, nota-se que em qualquer momento de dificuldade, muitos desistem de seu caminho e não conseguem chegar à faixa-preta deste estilo. Muitos acreditam que não é possível implementar novamente este método, pois, não haveria alunos para treiná-lo. Porém, o Kung Fu real é assim mesmo. Com rigor sobre-humano.


Os finalmentes: a hora da mudança

Em 1992, após o fechamento da academia para reformas (onde o Mestre Tsao transformaria mais tarde o antigo templo em pousada), mudamos para um local extremamente rústico, onde uma galeria comercial acabara de ser locada para os treinamentos, com chão de paralelepípedo. Foi um dos momentos de mudança intensa e memorável. Depois, mudamos para um galpão que era uma madeireira. Logo, houve mais mudanças e em 1994, finalmente, treinávamos em uma famosa escola particular, conhecida como Taba. Em 1995, eu deixei Ubatuba para iniciar minha vida profissional em São Paulo.

Permaneci até a terceira fase / terceiro grau (Instrutor, faltando uma faixa para a preta, equivalente à faixa–marrom).

Agradecimentos especiais aos meus professores que tiveram muita influência no meu desenvolvimento marcial: Mestre Tsao a Po, Milton, Marildo, Fernando Uta, Gilmar Matsuoka, Davi, Mauro, Tsao Shu Ju (fila de Mestre Tsao), Tsao Kuo Long (filho de Mestre Tsao), Emerson e Adão Coelho.


Sem limites

Porém, em 1995, mudei-me com meu irmão para São Paulo, onde trabalhávamos em uma empresa de Comércio Exterior coreana. Continuei meus estudos marciais e pratiquei um dos estilos coreanos clássicos em 1996: o Tae Kwon Do, na Kickers Tae Kwon Do Club, no bairro do Campo Belo, zona sul de São Paulo. Porém, sempre praticando o Kung Fu em horários de folga. Adquiri o grau amarelo e continuei até meados de 1997.

Em meados de 1998, voltamos para Ubatuba. Reiniciei os treinamentos em Kung Fu de forma mais concatenada com outros tipos de treinamentos como musculação e exercícios isométricos / calistênicos.

Em 2004, voltei para a cidade de São Paulo e trabalhei com meu tio em uma empresa da área de publicidade. Em 2005, comecei a trabalhar em uma multinacional americana (Amway do Brasil) como Web Designer. E iniciei meus treinamentos em Boxe na Companhia Athlética. Juntamente com esse treinamento, continuei a esmerar-me na musculação.

Em 2006, de volta à Ubatuba. Iniciei os treinamentos em Kickboxing, pela AKO (Associação de Kickboxing Octagon). Formei-me faixa-preta 1º DAN em Kickboxing em 2011. Em 2012, recebi o 2º grau da faixa-preta em Kickboxing.

coaching-marcialEm 2013, recebi a homologação internacional do 2º grau da faixa-preta em Kickboxing pela ISKA (International Sport Kickboxing Association), diretamente da Flórida (EUA), pelas mãos do Presidente da ISKA, o Sr. Cory Schafer e o Presidente da ISKA América do Sul, Grão-Mestre Carlos Silva, quando a Octagon presidiu a representação para o Estado de SP.

Em 2014, Lao Shi Milton Francisco, formou-me professor e recebi minha tão sonhada faixa-preta 1º TUAN.

Em 2014, recebi do Presidente da ISKA América do Sul, Grão-Mestre Carlos Silva, a homologação de meu diploma de faixa-preta em Kung Fu na Confederação Brasileira de Kickboxing Tradicional (CBKBT), registro CBKBT-3130-USA/BRAZIL e registro pela ISKA sob registro nº 3130.

Apesar de todo histórico de treinamento e experiências em várias modalidades, eu voltei à origem e todo o conceito desenvolvido no meu sistema de Coaching e Mentoria está calcado no estilo Nam Pai Shaolin Kung Fu, que é a base conceitual.


Um novo caminho, mas, sem perder a essência

A partir do ano 2000, o Kung Fu em Ubatuba havia sofrido várias e sérias cisões. Em função das particularidades de cada um (que não serão divulgadas por aqui), houve a necessidade de criar novos caminhos, e cada um evoluiu como pôde. Cada um seguiu seu caminho. Assim como ocorreu no passado distante, peritos de estilos diversos, ao se formarem, saíam em busca de seu aprimoramento e difundiam estilos próprios. É difícil hoje, saber a quantidade exata de estilos de Kung Fu ao redor do mundo.

E no fim dessa jornada, desde 1998, olhando com respeito e apreço para o passado, honrando meus Professores e Mestres, apresento uma proposta um pouco diferente, sem perder a essência do que eu vivi.

O tempo passou, estudei, desenvolvi-me como profissional da Administração, como docente universitário, consultor e palestrante ao longo desses anos. Porém, nunca deixei de treinar, de me aperfeiçoar, de cuidar de minhas raízes e de minha saúde. E jamais esqueci o que aprendi. Mas, nunca pude limitar-me a um único conhecimento ou a uma fonte. Assim, mesmo que eu tenha provado de muitas fontes, meu coração me levou ao início da minha jornada. Agora como um iniciado nos segredos das Artes Marciais. Porém, coloco-me sempre como um iniciante nos aprendizados eternos e faço disso o meu caminho: aprender sempre com humildade.

Como tudo precisa ser adaptado para novas realidades, com toda a minha experiência de um amante das Artes Marciais, decidi seguir com um de meus sonhos: divulgar a arte e a cultura chinesa em um sistema reavaliado, onde este seguirá com elementos clássicos e tradicionais, com o foco de treinar pessoas para terem o prazer de se transformarem.

Trago o estilo Nam Pai para o universo empresarial. Estou tornando-o acessível por outros modos, para públicos diferentes, atendendo necessidades específicas. Uma das premissas é o formato modificado para o mundo empresarial. Esse método ensina técnicas tradicionais que apresentam todos os elementos de um modo idiossincrático rico em disciplina, que transformou vidas com a riqueza, complexidade e beleza da arte / cultura chinesa.


Finalizando…

coaching-marcialNão sou lutador e fujo do estereótipo. Prefiro ser chamado de docente, amante de Artes Marciais pela cultura, pelo ensinamento, pela disciplina, transformando vidas pelo exemplo. Optei por conhecer a arte através de treinamento extenuante e direcionamento diferenciado. Estudei e continuo em constante aperfeiçoamento. Já lutei, já competi. Foram fases passadas que não satisfizeram meu ego. Tenho interesse pelo ensinamento e cognição. Atenção à técnica, ao desenho do movimento, da plástica, da beleza e da mágica que fazem do estilo algo único e exótico.

Ofereço aprendizados surreais, recheados de cultura, de racionalização das técnicas a serem empregadas no ambiente corporativo. Como um Coach Marcial, ofereço workshops para empresas e festas, com o approach marcial adequado (conteúdo de ensinamentos). Não tem a ver com treinamento físico.

Obrigado por chegar até aqui. Xiê xiê! Espero que aprecie o conteúdo!

Ballak Consultoria - Mentoria e Coaching Marcial